“O sonho encheu a noite. Extravasou pro meu dia. Encheu minha vida e é dele que eu vou viver. Porque sonho não morre” (Adélia Prado)

21 de jun de 2011

Vende na farmácia?



Certas coisas deveriam ser vendias na farmácia: caráter, por exemplo. Já imaginaram?... Caráter em pílulas!
E deveria ser bem baratinho, comprado sem receita médica. Assim, todos teriam acesso.

- Um frasco de caráter, por favor – pediria o sujeito ao balconista. E acrescentaria: "pensando bem, acho que vou levar um de respeito ao próximo, também".

Outra coisa que deveria ser vendida é vergonha na cara. Mas não na farmácia, em lojas de roupas. Seria uma camiseta que a pessoa vestisse e tcham-tcham-tcham!!! Num passe de mágica adquiria princípios morais. E acompanharia a camiseta uma espécie de bula com instrução recomendando seu uso também à frente do computador...

...

Devaneios à parte, o que eu quero falar é da minha decepção: aquela ‘coisa’ que sentimos quando descobrimos que não é bem assim que a banda toca.

Eu tenho o péssimo hábito de medir as pessoas com a minha própria régua: se eu não faço, fulano também não faz, certo?... ERRADO!

Com frequência tenho trombado com pessoas interesseiras, falsas, dissimuladas, oportunistas e mentirosas... E elas estão por aí,  em toda parte. Pessoas dispostas a tudo por um bocadinho de glória – brilhar nos seus quinze minutos de fama. O lado irônico é que elas insistem em brilhar na sombra dos outros.

São pessoas acima de qualquer suspeita, cultas, inteligentes, polidas... E você se deixa levar pelos encantos, acredita, exalta, elogia e aplaude!

De repente uma coisinha aqui... outra ali... e descobrimos que nem tudo que reluz é ouro. Mesmo.

E a minha pergunta é: será que não dá pra ter um pouquinho mais de ética no trabalho, na sociedade, nas redes sociais e etc.? Será que vale tudo para se auto-promover?

Não que seja da minha conta o que as pessoas fazem, e como elas conduzem as coisas nas suas vidas, mas confesso que não sei lidar com falcatruas.  Não sei como ser parte de um todo quando não há integridade, verdade absoluta. Nesse caso, toda minha vontade é tomar aquele chá lá da foto e virar purpurina ao vento. (pelo menos saio em grande estilo)

Será que posso deixar que continuem ofendendo a minha inteligência?... Será que devo esperar até esgotar a minha paciência e continuar fazendo cara-de-retrato-falado, fingindo que não estou vendo nada?

Não, meus amigos, não dá pra mim! Não dá pra assistir muitos lucrando em cima do sacrifício de poucos! Talvez eu tenha que enfiar a minha viola no saco e cantar em outra freguesia.

O grande problema é que nem percebemos e já estamos enquadrados num estereotipo. Num formatozinho ardiloso, repleto de jogos de interesses do toma-lá-dá-cá. Onde vale tudo, tudo mesmo! Até duplas, triplas, quádruplas identidades. Sem questionar, seguimos arrastados numa corrente que não nos levará a lugar nenhum, ou melhor, nos levará, sim, a uma grande decepção como escrevi no começo!

Sair fora do 'esquema' significa ganhar o anonimato e ver todo um trabalho escorrer pelo ralo. Estou agora falando de tempo – tempo perdido, suado e cheio de boas intenções.

Não é o meu tempo, nem o meu trabalho, são de todos aqueles que ralam com seriedade.

Triste é saber que o individualismo, a vaidade desacerbada de alguns é contaminante. Assim como uma única laranja podre faz apodrecer o cesto todo, talvez daqui alguns anos não sobre nada que valha a pena. O último 'bom' que ficar que feche a porta e apague a luz.
  
Por enquanto, o negócio é reformular, rever o chão que se pisa... pelo menos aonde temos autonomia pra isso.  Tudo que me ocorre nesse momento, é segurar os bons na peneira e deixar passar os espertinhos. Esta é a única maneira que vejo para continuar sem aborrecimentos. Sempre achei que menos é mais, e qualidade nunca fez parceria com quantidade.

Devia ter seguido a minha intuição desde o começo...