“O sonho encheu a noite. Extravasou pro meu dia. Encheu minha vida e é dele que eu vou viver. Porque sonho não morre” (Adélia Prado)

7 de jul de 2010

De perto ninguém é normal


Quem disse esta frase foi Caetano Veloso. Acho que ele queria dizer que todo mundo tem suas esquisitices, em maior ou menor grau. Eu também tenho as minhas.

Por exemplo: Adoro chupar cana. E se for no balanço da rede na casa da minha mãe, então, é a glória! No entanto, detesto garapa.

Mas existe uma razão para esta contradição: a cana eu vou chupando devagarzinho, saboreando cada gota. A garapa é concentrada, muito doce, e tudo que é demais me enjoa.

Outro exemplo: gosto de tudo com sabor de pêssego. Quando vou ao supermercado compro gelatina, iogurte, sucos, licores, tudo com sabor pêssego. Até a água já lançaram neste sabor. Acontece que eu odeio pêssego, a fruta. Não como nem sob tortura. 

Quanto a isto, também há uma razão: a poupa da fruta me causa uma sensação estranha nos dentes. Por isso não suporto comê-la.

Como podem notar, tenho, sim, algumas esquisitices, mas para todas elas há uma razão. Refletir nas razões das coisas é outra mania que eu tenho. Muitos diriam que se trata de outra das minhas esquisitices, e pode até ser. Entretanto, buscar por respostas tem me ajudado muito e orientado a minha vida. Não aceito meias-verdades e nem meias-respostas. Estou certa que tudo que está à nossa volta tem uma razão de ser e uma razão de existir.
Posso exemplificar isto contando uma história. No fundo, é isso mesmo que eu sou: uma contadora de histórias. Histórias da minha vida, coisas que observo aqui e ali, que dizem as pessoas, que podem ser boas ou não. Eu ouço, filtro, experimento, tiro proveito ou descarto.


Mas a história que vou contar não ouvi de ninguém, aconteceu comigo.

Quando eu era criança meus pais me levaram a uma pequena viagem. Fomos a um sítio de cultivo de rosas chamado Roselândia. Minha mãe queria comprar mudas enxertadas para plantar em seu jardim. Lembro-me bem de um japonês dando instruções de cultivo aos meus pais. Uma coisa que ficou bem viva na minha memória, foi a recomendação que ele fez sobre o ataque das Formigas Podadeiras. Ele disse: “tem que matá-las logo no inicio do inverno para proteger as roseiras”

O tempo passou e eu nunca mais me esqueci desse conselho do japonês. Fiquei na minha mente de criança com uma impressão negativa referente a elas, as formigas.

Quando eu e meu marido estávamos planejando nosso jardim aqui nesta casa onde moramos, eu também reservei um cantinho para minhas roseiras. A Roselândia agora é praticamente nossa vizinha, fica à poucos quilômetros daqui. Repetindo um ritual familiar, fomos até lá comprar minhas mudas. Outro japonês, provavelmente o filho do primeiro, fez a mesma recomendação sobre as formigas, na qual, eu segui à risca por vários anos: todo inicio de inverno eu assassinava as pobrezinhas.

Houve um dia, porém, que me perguntei o que aconteceria se eu não fizesse isso, ou seja, se poupasse as formigas. Visto que todos os anos eu as matava, e todos os anos elas voltam mais fortes e em maior número de indivíduos, eu pensei: isto é algo a ser investigado, e quem sabe, eu acabo descobrindo alguma coisa que ainda não sei.

Foi o que fiz: coloquei em risco a vida das minhas roseiras em troca do segredo das formigas.

Naquele inverno não coloquei veneno em seus ninhos e deixei que elas se fartassem até a última folha. De fato elas se banquetearam: não sobrou nenhuma folhinha para contar a história!

Confesso que fiquei um pouco triste ao ver minhas roseiras todas peladas, coitadinhas, mas tinha tomado uma decisão e não volto atrás em minhas decisões quando são bem pensadas e analisadas. Tinha pagado pra ver e agora só me restava esperar.

Quão grande foi a minha surpresa, quando mal chegou a primavera, elas brotaram verdinhas, com tanta força e rapidez como nunca tinha visto igual. E quando começaram a nascerem os botões, pensei que não fossem mais parar. Foi a maior e a mais bela florada até então!

Se algum de vocês possui roseiras em casa, façam esta experiência e constatarão que digo a verdade. Deixe as Formigas Podadeiras fazerem o trabalho de poda em seu lugar. Para isto é que elas foram criadas. Dou-lhes este conselho visto que não tenho a menor dúvida quanto a isto. Experimentei e posso aconselhar.

Eu não podo mais as minhas roseiras há anos, mas, o melhor proveito que eu tirei disso foi descobrir que podemos adquirir sabedoria e conhecimento onde, e com quem menos esperamos. E a verdadeira sabedoria, aquela que enriquece o espírito, nunca é demais.

Eu aprendi com as formigas. Aprendi porque me propus a questionar e a experimentar. Espero ainda aprender muito mais, e com isto, vou exercitando minha humildade e me conscientizando da minha pequenez diante da Majestosa Criação de Deus. E Ele retribui, em sua infinita bondade, me dotando de discernimento para não aceitar meias-respostas – sempre tão vazias.

10 comentários:

  1. Antes de mais, onde se arranjam essas formigas???Por aqui...eu não conheço.
    Mas é mesmo contadora de histórias.....
    O que me ri já, com essa dos pêssegos...
    Não dá para acreditar,hihihi.
    Beijo amiga.

    ResponderExcluir
  2. Sueli: não gosto de pêssegos. Mas gosto de maracujá em fruta e não em suco. Será esquisitice? rsr

    Quanto às tuas roseiras e formigas achei uma história que me convenceu, sim. Mas ainda estou com dúvidas: por que elas não voltaram na segunda vez? Por que abandonaram as rosas que as alimentavam? Isso é que eu gostaria de saber. Que tal uma conversinha com elas para ver o porquê da coisa? Se tiveres a resposta, eu volto para ler. Fiquei intrigada com tuas formigas, pois todos os anos elas atacam a minha cozinha, e se eu deixar, comem a casa inteira! Vão e voltam... e num ritmo alucinante.
    Gostei muito desta história, como sempre contas com muita graça.

    Beijão
    Tais luso

    ResponderExcluir
  3. P/ Andradarte.

    hahahaha Pode vir buscar um casalzinho aqui. rsssss

    Talvez elas atendam por outro nome aí na tua região. Mas, com certeza vc já deve ter visto nesses documentários ambientais uma formiguinha carregando uma folha gigante nas costas: são elas!
    De fato elas podem carregar mais de 100 vezes o seu peso.

    Gde Abço e grata pelo comentário!

    ResponderExcluir
  4. P/ Tais aqui vai a resposta da ex-matodora profissional de Formigas Podadeiras rssssss

    Não entendi muito bem a tua dúvida, talvez eu não tenha me expressado direito: As formigas podadeiras são encontradas mais frequentemente em chácaras, sítios, etc... Aparecem no inicio do inverno “cortando” e carregando para seus ninhos a maior quantidade possível de comida, que são suprimentos suficientes para atravessarem o inverno. Elas são as "trabalhadoras" de uma rainha que fica lá no ninho numa boa de papos prô ar. rsss

    Cada rainha constrói apenas uma colônia, e somente uma vez por ano, depois todas morrem, pois tem vida curta: acho que isto responde a sua pergunta.

    Quando colocamos veneno no ninho matamos a rainha e outra classe de trabalhadoras que tem a função de organizarem as coisas lá embaixo. Então, as “podadeiras ficam desorientadas e migram em busca de outra rainha. Resumindo: ACABAMOS COM A FESTA.

    No ano seguinte, nasce outra rainha e começa um novo ciclo.

    Eu parei de colocar veneno nos ninhos e elas fazem a poda das minhas roseiras todos os anos me poupando deste trabalho.

    Elas não matam as roseiras, somente podam melhor do que qualquer jardineiro. Isso não é fantástico?

    Bjos de formiga prá ti! rssss

    ResponderExcluir
  5. Tais, esqueci um detalhe importante rsss

    As "tuas" formigas são aquelas bem pequenas, são domésticas que invadem a cozinha pq tem alimeto p/ elas. Essas é bom exterminar pq transmitem contaminação.

    Já as "minhas" moram fora de casa kkkkkkk não incomodam.

    Mas não se esqueça: tem que matar "o Lula" delas hahaha a rainha.

    Bjokasssssssssss

    ResponderExcluir
  6. Claro que entendi, não tinha me dado conta que as tuas formigas são podadeiras, de quintal... E que morrem logo.

    Com as minhas é guerra dura: mato as intrusas e voltam mais, em dobro, até parece vingança... Com baratas eu sou sábia, não existem em minha casa, mas com as formigas ainda estou em pé de guerra. Vou esperar tua dica.

    beijão.

    ResponderExcluir
  7. Olá, minha meia-xará, caí aqui de paraquedas, após ver um comentário seu no blog do Meneses. Menina, adorei seu blog. Além do nome, temos outras coisas em comum. Também sou mãe e avó, blogueira e tenho um monte de esquisitices. Imagina que eu adoro ovo, mas não suporto nada que tenha gosto de ovo...rs. Por isso a entendi tão bem. Adorei seu blog. Venha visitar-me (no Fenixando). Um grande abraço!

    ResponderExcluir
  8. Adoro suas histórias e seu estilo de escrever conversando... Sinto é não conseguir vir com mais frequencia por aqui! Estou aproveitando hoje paracurtir um pouco mais seus escritos e também dizer que a brincadeira desafio dos roteiro para tirinhas também vale para você você tem um humor muito leve e solto bem o que procuro para a Lady Garça!

    ResponderExcluir
  9. Amei a crônica. Todo mundo tem suas esquisitices mesmo. Eu morro de vontade de comer peixe e frutos do mar. É saudável e, até certo ponto, xique. Soa mal quando digo que não como nada disso. Para melhorar a má impressão, criei uma frase que resume melhor: "Não como nada que nada".
    Sinto um gosto terrível. Ah e também adoro chupar cana, sem gostar de garapa.
    Beijos

    ResponderExcluir
  10. Oi Sueli, eu to lendo... Ja estava lendo antes de tudo um poco, hoje quando fui ler sobre s formigas eu ficava rindo e imaginando a sua lutas, rsrs So faltava estar com uma espingarda a espera delas, kkkkkk
    Quando me casei eu fui viver em uma casa com um terreiro imenso e la tinha muitas roseiras e espirradeiras e tambem esta formigas... me lembro qe nao sabendo da existencia delas eu ficava curiosa de saber porque as plantas amanheciam sem folhas sem nada, kkkkkk e com muito custo eu descobri, mas descobri de um modo que nao desejo que ninguem descubra, kkkkkk
    Como disse o quintal era enorme, e vinha sempre um dia da semana em minha casa uma senhora que lavava as nossas roupas em geral(nossa sou antiga, kkkk nao tinhamos maquina naquela epoca)e assim um dia ela lavou e pendurou tudo no varal que tinhamos debaixo da sombra de uma de nossas grandes arvores(a cidade que vivia era interior de Minas e a casa ficava no alto da cidade, nao tinha continuidade de estrada... Era uma cidade com morros e eu morava ali no fim do morro, onde se encontrava um grande clube de lazer) bem voltando ao assunto, rsrsrs entao esta senhora no outro dia voltava cedinho para retirar as roupas e passa-las,mas naquele dia estava ameaçando chuva, muito trovao, entao eu me lembrei das roupas e se nao fosse rapido poderia chover a qualquer momento e molha-las, entao desci as escadas(esta casa era muito diferente, era como casa de fazendas, altas e com degraus que nos levava ao terreiro)e assim o fiz, desci depressa e sem chinelo no pe e comecei a retirar as roupas e caminhando cheguei em suas estradinhas, que mais parecia estradinha para caminhao de tao larga... La dentro meu ex marido(sinto o przer de dizer isto, rsrsrs exxxx) so ouvia gritos de desesperos, de tanta dor que sentia ao ver todas aquelas formigas atacadas em meu pe, com dois ferroes agarrados que nada faziam se soltar da pele, haushaushaushaus Eu conheço muito bem estas podadeiras e realmente elas fazem um estrago, que depois tudo fica lindo! Mas meu pe sofreu, kkkkkkkk
    Precisava de descobrir isto justo desta maneira? rsrsrs

    ResponderExcluir

Sejam bem vindos! Sintam-se a vontade. Comentem, digam o que pensam. Podem rodar a baiana, só não cutuquem a onça com vara curta, ok?... rs