“O sonho encheu a noite. Extravasou pro meu dia. Encheu minha vida e é dele que eu vou viver. Porque sonho não morre” (Adélia Prado)

1 de fev. de 2011

Alguém viu minha memória por aí?


Outro dia recebi um email dizendo que o Aspartame causa o Mal de Alzheimer.
Não dei nenhuma importância, visto a quantidade de emails assustadores que eu recebo diariamente. Eu só começo a dar importância às coisas desse tipo quando aparecem no Fantástico. Deletei o tal email e continuei tomando meu cafezinho com 17 gotas de adoçante (não é uma piada, eu tomo adoçante com café).

Mas o que aconteceu comigo logo depois me levou a lembrar do tal email, desta vez com real preocupação: tive um apagão daqueles! Deu branco, branco total! Inexplicável! Constrangedor!

Pensei muito na minha avó paterna que sofria de Alzheimer e, segundo dizem os médicos, é uma doença genética. Minha avó se esqueceu de tudo, até dela mesma. Vivia fugindo de casa e deu um trabalhão danado! Mas ela tinha noventa anos e eu só tenho cinquenta e unsss...

Voltando ao ocorrido, vou descrever exatamente como aconteceu:

Eu estava no estacionamento do hipermercado quando uma moça morena e sorridente caminhava saltitante em minha direção. Ela carregava sacolas, logo presumi que estava de saída e eu acabara de chegar, ainda descendo do carro. Pelo sorriso largo que ela exibia dava pra notar que ficou feliz em me ver ali. Eu ainda olhei para os lados para me certificar se todo aquele entusiasmo era mesmo comigo. E era. O rosto era familiar, isso percebi logo de inicio, mas quem era ela? De onde nos conhecíamos?

Na medida que ela caminhava em minha direção, fiz um esforço descomunal para tentar me lembrar. Lembrar do nome, então, seria o mesmo que pedir por um milagre!

Ela aproximou-se esfuziante e, beijinho pra cá, beijinho pra lá, nossa intimidade era evidente:
- Nooooossa que bom te encontrar por aqui, já estava com saudade.
- Eu também – menti.

A atitude dela me desarmou completamente: se a gente não faz a pergunta “de onde mesmo que nos conhecemos?” logo no início, não fazemos nunca mais.

- Ainda ontem eu e a Marisa falamos tanto de você...

Deus meu, quem é a Marisa? Mais uma personagem entrava na história para agravar ainda mais a minha angústia.

- É mesmo? – perguntei ao acaso – E por falar nela, como ela está? – espertinha eu, agora sim, vinha uma pista...
- Está ótima! – morreu o assunto. Sai de cena a Marisa.

Eu já começava a suar por todos os poros e levar aquela conversa adiante era coisa pra mestre do improviso. Eu iniciava as frases com as palavras: viu... sabe... olha... então..., tudo em substituição do nome dela.

Conversa vai, conversa vem, e a dado momento eu não estava mais ali, minha mente viajava vertiginosamente entre o presente e o passado: talvez ela seja uma antiga aluna de pintura, daquelas que já decorou a casa e sumiu... Não, não pode ser, a costumeira frase “preciso voltar às aulas” nem rolou na conversa... Ou, quem sabe, ela é uma daquelas diaristas extras que eu chamo de vez em quando... Mas com essas unhas impecáveis? Duvido! Quem já faxinou a minha casa fica com as unhas destruídas pro resto da vida!... Além do mais, ela parece gostar de mim...

A situação começava a ficar insustentável. Pra mim, pois ela parecia não notar nada e continuava falando, falando... E eu saindo, saindo... pela tangente.

Na primeira brecha pedi desculpas e disse que estava com um pouco de pressa. Despedimos-nos e ela ainda me disse: “me liga se for mudar de horário”.

HORÁRIO – Essa palavra ficou martelando na minha cabeça.

Como sempre faço, comecei pelo setor de hortifrutigranjeiros, mas não conseguia me concentrar nas compras. Toda vez é assim: quando esqueço algo, a coisa não sai da minha cabeça, perco a paz e penso naquilo dia e noite!

Não posso esquecer do alho... Mudar de horário, que horário?!... Noooooossa como a vagem tá cara, será que tá em extinção?... Seria o horário de alguma consulta médica?... Me recuso a pagar por esses tomates atropelados... Será que ela é a mocinha da recepção de algum consultório médico?... Não tem ovos brancos?Na boa, sem preconceito, mas se a galinha não for branca eu tenho nojo... Será que eu já tô tratando do meu Alzheimer e me esqueci?... Olha o preço desses pimentões, devem estar vermelhos de vergonha... Quando chegar em casa vou olhar na agendinha se tenho consulta marcada com algum psiquiatra... Onde eles colheram essa alface, na lata do lixo?... E se eu esquecer de olhar na agendinha?...

A caminho de casa eu ainda pensava na tal moça. Repassei mentalmente dezenas de vezes a nossa conversa. Talvez eu tivesse perdido algum detalhe.

Talvez ela nem exista... Talvez ela seja apenas uma invenção da minha cabeça, um tipo de personagem imaginário dentro da minha loucura... Talvez não seja Alzheimer, talvez seja esquizofrenia... Talvez eu estivesse mesmo doente. Talvez não. Talvez eu sempre fui assim, eu é que não sei... Dizem que quem não é normal não sabe que não é... Mas eu já perguntei pra minha mãe e ela jura que eu sou... normal...

Quando estacionei na garagem de casa, minha filha caçula apontou na porta e perguntou:

- Lembrou de comprar a acetona que te pedi?

- LEMBREI!!! – gritei eufórica.

- Da acetona?

- Não, lembrei DELA!

- Dela, quem?

- Da minha manicure.

Em seguida peguei minha agendinha e fui direto para o telefone:

- É do consultório do Dr. Daniel? Eu quero marcar uma consulta. Urgente!

- A senhora ligou errado.

12 de jan. de 2011

É proibido proibir


Quem de vocês moram em condomínio?... Eu moro.
É bom, não é mesmo?... Segurança nota dez, vivemos cercados de pessoas do mesmo nível cultural/sócio/econômico e não nos sentimos um peixe fora d’água.Tudo parece perfeito...
Mas nem tanto!

Todos nós, quando decidimos ir morar em um condomínio, seja ele vertical ou horizontal, devemos estar cientes que vamos dividir espaços. E dividir espaços com um bando de gente desconhecida não é fácil. As opiniões divergem, é um bate-boca sem fim, e, se por ventura, você não pôde comparecer àquela assembléia extraordinária, os que compareceram decidirão por você.
E não adianta reclamar depois.

Foi isso que aconteceu aqui no condomínio onde eu moro. Eu até me considero uma pessoa tolerante, me relaciono bem com meus vizinhos e não saio por aí comprando briga por qualquer motivo banal. Ando mais na fase de plantar a paz entre os homens.

Até entro numa enrascada ou outra, mas nada que não se possa contornar sem prejuízos mútuos. E prejuízo, aquele bem literal ($$$$$$) é coisa séria, ninguém gosta de se sentir lesado, enganado, passar por idiota. É desse prejuízo que quero falar.

Tá na moda aqui por essas bandas a tal da multa: multa do lixo, multa do jardim mal cuidado, multa do carro estacionado na calçada, e por aí vai... Todo mundo sabe (mas finge que não sabe) que isso nada mais é do que uma manobra que arranjaram para angariar fundos e tapar o rombo da administração anterior.

Eu, de minha parte, seguia fingindo também, até porque não compareci a tal assembléia da multa. Decidimos, meu marido e eu, que não participaríamos mais das assembléias onde ninguém se entende, e que se tivéssemos que brigar, que seria na justiça. Mas tudo tem um limite. Até a minha paciência.

Poucos dias depois da tal assembléia eles distribuíram placas por toda parte, de fato não conseguimos andar cem metros sem tropeçar numa delas. E todas começam com a palavra “proibido” e finalizam com a frase “sob pena de ser multado”.
A mais engraçada é a placa de "proibido alimentar os animais silvestres"... Vai dizer isso aos macacos!
Ou, ensinem eles a ler.

Outro dia recebi a multa do cão solto. Entre outras baboseiras, estava escrito: “... por colocar em situação de risco a vida dos condôminos e teretetê, teretetê, teretetê”... e lá embaixo, em negrito, o valor da multa: R$98,00.

Ah, sim, foi o Bernardo – o meu cão – que fugiu para dar uma voltinha. E eu pergunto: qual o risco? Ele só pesa 1,300kg!!!

Já fui multada algumas vezes por excesso de velocidade, mas devo esclarecer que concordo com o limite imposto que é de 30km/h. O que eu não concordo é com o nosso radar: o olhômetro do "severino" fofoqueiro da segurança. O que ele quer é ver o circo pegar fogo!

Piadas à parte, a multa do cão solto esgotou a minha paciência e resolvi me vingar. Só tinha que esperar o momento certo. Ele veio mais rápido do que eu imaginava.

Minha casa é a última de uma rua sem saída, depois tem uma área de reserva de mata que se estende até o final da rua onde há um retorno. Mas quem retorna lá no final da rua? Ninguém! Todos acham penoso andar mais alguns metros e retornam aqui mesmo, na entrada da minha garagem, esmagando meu gramado. Os mais barbeiros destroem meu jardim.

Eu vinha tolerando isso calada desde que moro aqui, até que no mês passado um caminhão basculante carregado até os tufos despejou uma avalanche de terra no meu jardim, sufocando minhas Marias-sem-vergonha.

Claro, tomei as dores delas, mas tive uma atitude descente: fiz uma reclamação por escrito à administração e dias depois recebi um email frio, impessoal, cheio de formalidade como resposta. Em outras palavras sugeriram que “eu me entendesse com a empresa que cometeu a infração”.

Meu primeiro impulso foi responder que “a empresa” se resume ao motorista do caminhão, e só! Mas me contive. Mandei fazer a minha placa particular e plantei bem fundo no meu jardim: PROIBIDO RETORNAR NESSE LOCAL – SOB PENA DE LEVAR UM TIRO.

Não deu outra: Fui multada!
Motivo: Ameaça aos condôminos.

Pelo menos mandei o meu recado.

29 de dez. de 2010

...e assim caminha a humanidade.


Eu havia decidido que não escreveria nada sobre o Ano Novo que se aproxima e nem sobre o Ano Velho que agoniza.

Entretanto, lendo alguns textos nos blogs dos amigos, sobre essa tradição de celebrarmos cheios de esperança e otimismo a cada novo ano que se aproxima, me fez pensar no assunto. A minha opinião sobre isso é que tudo não passa de mudança de calendário, apenas. E eu, como todos da humanidade, teremos em 2011 dias bons e dias ruins, faz parte da vida. Dessa vida.

Nada, ou quase nada vai mudar a partir do dia primeiro, a não ser o fato de que todos nós nos lembraremos de desejar felicidades eternas uns aos outros, e desejamos mesmo, de coração, que todos sejam felizes!

Felicidade!

Essa palavrinha tão batida é tudo que queremos e procuramos, mesmo antes de aprendermos a juntar as letrinhas e escrevê-la. Mas será que estamos procurando no lugar certo? Tantas verdades foram nos ensinadas para encontrá-la, mas que na realidade não seguimos. Procuramos por ela por conta própria, como seres autômos, andando pela vida sempre senhores do nosso próprio destino, e até nos orgulhamos da nossa autossuficiência.

E nesse processo, enquanto corremos atrás da felicidade, sacrificamos nossas vidas, pessoas, animais, plantas e o próprio meio ambiente. Sacrificamos o planeta que é o nosso único lar.

É isso aí, somos a raça humana, a perfeita criação de Deus! E como somos espertos!... Diplomados em dar um jeitinho nas nossas cagadas.

Andei pesquisando se existe a tal receita da verdadeira felicidade e descobri coisas interessantes. Descobri, por exemplo, que todos nós seriamos mais felizes se praticássemos a compaixão. E que se promovermos o bem apenas para nós mesmos, esquecendo-nos dos demais, estaremos contribuindo para acentuar o desequilíbrio da grande engrenagem do universo. Para que fosse possível a ocorrência da felicidade, esta deveria abranger todos os seres, quando então, não haveria qualquer tipo de desequilíbrio ou desarmonia.

Descobri também a diferença entre compaixão e sentir pena de alguém.

Sentir pena de alguém significa que nos sentimos numa condição melhor, e às vezes estamos mesmo, materialmente falando. Apenas materialmente, pois somos todos vulneráveis às tragédias, doenças e infortúnios. Não acontece somente com os nossos vizinhos.

Ter compaixão, no entanto, é uma doação de amor incondicional para que o outro consiga superar suas dificuldades. A compaixão exige que nos coloquemos no lugar daquele que está sofrendo. Exige que estejamos presentes, que sejamos atuantes, que nos posicionemos. Exige, enfim, a nossa disponibilidade para ofertar algo de nós mesmo, para que o problema em questão se resolva e aquele ser envolvido possa finalmente sair daquela situação. É cuidar para que o outro possa levantar-se e caminhar.

Será que algum de nós está disposto a sair do seu comodismo, a abrir mão do seu compromisso, a adiar uma viagem, um passeio em prol de algum sofredor? É provável que não. Mas como somos bonzinhos, sentimos pena. Somos capazes de nos comover com o sofrimento do outro, porém, o mundo não precisa de nossas lágrimas.

O que o sofredor precisa é da empatia e da nossa profunda compreensão e consequente comunhão com o sofrimento dele.

Jesus, o homem sem pecados, nos ensinou a lição de casa. Ele consolou os desconsolados, deu de comer aos famintos, curou os doentes, ressuscitou os mortos, e fez muito mais, nos deu genuína esperança para o futuro. É verdade que ele tinha que provar para aquele povo suas verdadeiras credenciais como o filho do Deus Altíssimo, mas sua principal motivação foi a compaixão que ele sentia.

Ok, não estamos com essa bola toda, mas cá entre nós, não fazemos nem o que está ao nosso alcance!E o lado triste de tudo isso é que podemos. Fomos criados à imgem e semelhança de Deus no sentido de que possuímos muitas qualidades que desconhecemos porque não as exercitamos.

O mesmo Homem que nunca pecou, disse em outras palavras: "Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em seu próprio íntimo. Nada lhe posso dar a não ser a verdade, a oportunidade, o impulso, a chave e a vida"

Que Deus tenha piedade de nós em 2011.

17 de dez. de 2010

2 de dez. de 2010

PARA OS AMIGOS BLOGUEIROS





A culpa é dele!!!

Com frequência tenho lido textos nos blogs sobre o comportamento dos blogueiros na blogosfera.
 
Resolvi escrever sobre o assunto, mas não no formato dos demais, e sim para falar de mim, de como o meu comportamento pode estar sendo mal interpretado.
 
Não preparei nada com antecedência, agora são 12h31min dessa quinta-feira e eu sentei aqui já mandando bala, sem rodeios, e de coração aberto.
 
Digo com toda sinceridade que me é peculiar que gostaria imensamente de poder visitar, ler e comentar todos os blogs que me agradam, e são muuuuuuuuitos! Mas isso não é possível. Não da maneira que eu gosto, me falta tempo.
 
O TEMPO MALDITO!
 
Estou começando a achar que esse “fulano” é meu inimigo e se faz mais curto só para me sacanear. É claro que se for para eu entrar num blog e não ler nada, ou ler o início e pular para o fim, e depois, deixar um breve comentário bem basiquinho, tudo mudaria. Mas definitivamente não é isso que eu quero!
 
Às vezes, meu tempo é tão curto que tenho que escolher entre ler e comentar. Decido ler e deixar o comentário para depois. Óbvio, 5 segundos depois que eu fecho a página, já esqueci.
 
Nunca fui boa com esse negócio de administrar o tempo e acho que é um pouco tarde para eu aprender, mas continuo tentando. Sem resultado, naturalmente, pois vivo atrasada, enrolada e volta e meia me metendo em confusão por conta disso.  Eu já perguntei para minha mãe se eu nasci atrasada, mas ela jura que não rsrs.
 
Mas apesar de tudo, não sou pessoa de desistir facilmente de um objetivo e tentei mais uma vez administrar meu tempo e estipulei “um tempo” para blogar.Decidi que dedicaria dois dias seguidos para postar, visitar os blogs dos amigos, ler tudinho de cabo a rabo e comentar. Isso aconteceria entre o término de um trabalho e o começo de outro, sem dias fixos. Assim, enquanto estivesse pintando, todos os meus 2 neurônios ficariam aprisionados com direito a um curto passeio entre a paleta e a tela hehehe.
 
Como toda ideia mirabolante que eu tenho, essa também não foi uma boa ideia. Vou explicar de um jeito curto e grosso: ficou parecendo que eu só comento os blogs dos amigos quando eu posto alguma coisa e quero comentários. Ficou parecendo, mas não foi minha intenção. Não mesmo! 
Isso ficou evidente quando alguns amigos sumiram do meu blog. Pode não parecer, mas eu sou uma pessoa muito ocupada, viu... rsrs. Essa história de que todo artista é meio vagabundo é puro folclore rsrs. E eu nem poderia escrever essa palavra (vagabundo) no feminino hahaha.
 
Meus amigos blogueiros me deem um desconto, me xinguem, escrevam uns adjetivos esculachativos, mas voltem...

19 de nov. de 2010

É O BICHO!


Outro dia assisti na TV uma entrevista com um psicanalista de animais – Já existe isso, tempos modernos... Eu logo fiquei imaginando um cachorro de rua deitado num divã dizendo ninguém me ama, ninguém me quer...

Mas não é bem assim que acontece a psicanálise. O “Doutor” observa o comportamento do bicho e tenta descobrir as causas do desvio de personalidade. Ele disse que quase sempre chega à conclusão que a culpa é do dono, ou seja, se eles vão ser dóceis, violentos ou agitados, tudo depende de nós. Os animais também são produtos do meio.

Diante dessa revelação, devo confessar que fiquei um tanto preocupada, pois deve ter alguém com sérios desvios de comportamento aqui na minha casa. Só isso explica os bichos aloprados que eu tenho.

A começar pela bela Vera Lúcia, uma legítima Yorkshire de pelos fartos, macios, esvoaçantes, porte elegante, olhos faiscantes e etc., etc., etc...

Quando ela chegou à idade adulta, me deslumbrei com tanta beleza e meus olhos saltaram em cifras ($$$$) imaginando os lucros que ela me daria com seus filhotes. Tratei logo de lhe comprar um marido de fina estirpe com pedigree internacional. O nome dele é Bernardo, um maníaco por tornozelos de carteiro. Tenho que dar um desconto, pois é o único lugar que ele alcança. Isso lhe rendeu o apelido de “fura-meias”. (pelas mordidas, viu, gente, não levem na maldade).

Entretanto, as minhas cifras foram para o ralo quando descobri que ela, a minha bela e doce Verinha, era mesmo apaixonada pelo Bartô - o gato.
Não tive alternativa, a não ser comprar outra esposa para o Bernardinho e aliviar meu prejuízo: A Isabelle (Belinha para os íntimos) que também tem lá suas esquisitices, mas o enlace se consumou.

E por falar no gato, o nome dele é Bartolomeu, mas bem que poderia ser BartoloMALA, ô gato inconveniente, viu!... Nós o chamamos simplesmente de Bartô. Ele é um persa azul-cinza gigante, com muito pelo e nenhum caráter. Ele é convicto de que a casa é dele e nós somos os intrusos. E como incomoda! Sobe em todos os lugares e volta e meia me dá um tremendo susto pulando em cima do meu teclado hdg87#@!(??5hd4*¨432@dbg)+#.

Certa vez, ele virou a tela do meu computador e eu passei três dias com torcicolo até descobrir como desvirava. E se pego pesado na bronca, ele se vinga: entra no meu ateliê e imprime todas as suas digitais nas minhas pinturas molhadas.
 

É um entra-e-sai infernal o dia todo! Mia pelo lado de fora pra entrar, depois, mia pelo lado de dentro pra sair... Já pensei até em contratar um porteiro só pra ele.

E como se não bastasse, sofre de uma profunda crise de identidade, pois volta e meia se comporta como cachorro: atende pelo nome e ainda balança o rabo. De uns tempos prá cá, só come ração canina e quando insisto com a dele, faz aquela cara de
merci, tenho nojo.

E ainda tem os presentes de grego que ele caça no mato e traz para nós. Tem todo o cuidado de depositar bem no meio da sala de estar. Na hora de sacanear, ele é gato.

Mas devo dizer que o Bartô não é lá muito esperto. Esperto mesmo é o Juca - o meu tucano. Um dia eu o encontrei desmaiado no piso do viveiro. Entrei em pânico e o reanimei. Dias depois, o vi despencar do poleiro e ficar lá, duro, de perninhas pro ar  parecendo morto. Entrei em desespero e passei a procurar como louca por um veterinário de aves.

Não foi necessário. Logo descobri que ele se fingia de morto toda vez que o Bartô se aproximava do viveiro. Confesso que senti uma pontinha de satisfação ao descobrir que alguém estava se vingando do gato-mala por mim. Hehehe.

O que o Juca tem de esperteza, o Chicão tem de rebeldia. Ele é um Jaboti com cerca de 80 anos. Pelo menos foi o que me disse um “especialista” que contou os elos do seu casco. É um bicho enorme, parece um banquinho. Creio que se alguém sentar nele, ele carrega.

O negócio dele é fugir de casa. Ele nem sabe pra onde ir, mas continua fugindo. Acho que está gagá, o coitado. Nós aqui em casa já não nos preocupamos, pois sempre tem alguém que vem devolvê-lo – o Nono, como é conhecido aqui no condomínio.

Um dia tocou o telefone, eu atendi. Era o porteiro e a conversa foi mais ou menos assim:



- Alô.

- Dona Sueli?

- Sim, sou eu.

- A senhora pode vir aqui na portaria?

- Agora?... Estou um pouco ocupada...

- Eu calculo que pode ser dentro de uns 30 minutos.

- Aconteceu alguma coisa?

- Não, senhora. Só quero que a Senhora venha buscar o Nono.

- Ele está aí?

- De jeito nenhum! A senhora sabe que eu morro de medo desse bicho.

- E onde ele está?

- Está subindo a rua em minha direção.


Ai, ai, eu me divirto à beça com meus bichos!

Mas nessa minha narrativa eu jamais poderia deixar de fora o Incrível Hulk, ou apenas Hulk como o chamamos: A criatura verde.

Verde e gozadora. Caráter, também, é uma coisa que passa longe dele!

Os papagaios não formulam frases, eles apenas repetem o que ouvem. Como eu fico mais em casa, ele imita perfeitamente a minha risada e repete tudo que eu digo, e é aí que mora o perigo!

Quando estou no meu ateliê pintando, eu entro em outro mundo e detesto ser interrompida. Aí, toca a campainha, eu presumo logo que a visita é pra mim e exclamo: Visita, que bosta! O resultado disso é que toda vez que eu recebo uma visita o Hulk dispara: Visita! Que bosta! Visita! Que bosta! Visita! Que bosta!... E ainda por cima, intercala com a minha risada!

Aaaaaa, um dia perdi a paciência e lacrei o bico dele com fita crepe!

Agora, porém, não tenho mais como fazer isso, e só me resta passar por esse vexame desde que eu o premiei com a liberdade.

Foi no ano passado que eu notei que ele ficava doidão toda vez que um bando de papagaios passava voando por aqui. Então, eu abri a portinhola do seu viveiro e disse: “Quando se sentir pronto pode partir”.

Demorou três meses até ele descobrir que podia voar. Um dia pela manhã, eu estava na cozinha preparando meu café e ouvi um farfalhar exagerado. Olhei pela janela e vi uma coisa verde voando toda desengonçada: parecia uma borboleta gigante com soluços.

Ele permaneceu na mata por vários dias, mas sempre nos arredores da casa. Eu sentia um aperto no peito toda manhã quando saia para o jardim e ouvia aquela “voizinha” familiar: Bom dia mamãe!... E eu respondia: Bom dia loro!

Eu não podia vê-lo em meio a tanto verde, mas ele me via e ficava esperando eu acordar.

O nosso amor foi maior e não rolou a separação. Certa tarde, ele voltou e fixou residência no telhado do viveiro.

Voltou para continuar me atormentando e me fazer pagar uns micões ainda piores, pois agora ele é livre e faz pleno uso do ir e vir.

Apesar disso, a sua volta foi a melhor coisa que me aconteceu. Descobri que sem ele, a minha vida não tem a menor graça!

Sem ele e sem os outros, que, apesar de loucos, eu os amo demaissssssssssssssss

11 de nov. de 2010

EU NÃO AGUENTO AMIGA LOUKA!


Não há nada melhor do que ter o privilégio de sentar à frente do computador e desabafar. A gente vai escrevendo, escrevendo, sem se preocupar em buscar palavras bonitas para impressionar. Tudo que mais queremos é botar pra fora o que está atravessado na goela e que pode machucar se não vomitarmos.

Como vocês leram no título, vou escrever sobre amiga
louka, assim mesmo com “K”, só pra mostrar que além de louka, é esquisita, afetada, sem noção... Uma pessoa que se não for o caso para internação, pelo menos de um bom psiquiatra precisa, ah, isso precisa!

Se você ainda não tem uma em sua vida, um dia vai ter, isso é tão certo como o sol vai nascer amanhã, pois elas andam por aí, soltas, prontas para abrir aquela boca enorme que abriga uma língua quilométrica e acabar com a tua reputação de boa menina (ou bom menino, pois a espécie ataca homens, também).

São aquelas que tem piti por qualquer motivo, emburra feito criança, entende tudo errado e nos deixa com aquela cara de
“o que foi que eu fiz?”
 

O pior é que isso acontece de uma hora para outra, sem nenhum aviso prévio. Gente louka é assim, muda junto com as fazes da lua, e eu, que me considero uma pessoa normal, não tenho fases, não entendo, fico boiando igual bosta n’água no Rio Tietê.

Gente desse tipo se sente o centro do universo e espera que todos os holofotes estejam voltados para ela. E lá num dia qualquer, você, tão distraída, esquece de elogiar uma roupa, uma atitude, ou qualquer coisa do gênero, e pronto! Você cometeu o crime do século e não merece perdão.

Sinceramente, tenho vontade de mandar catar coquinhos. Eu, hem, que doidera!

Falando francamente, não entendo
o tipo e fico me perguntando se relacionamento é isso, uma rasgação de seda sem fim, ou um infinito explicar tim-tim por tim-tim. 

Afinal, quem ela pensa que é, a Rainha de Sabá?

Fico me perguntando se meus amigos realmente me conhecem o suficiente para saberem que os tenho na mais alta estima e não preciso ficar o tempo todo repetindo isso, pois vai chegar uma hora que não parecerá verdade, e sim, uma “fala” ensaiada, uma obrigação sem nenhum valor.

Eu não "me ligo" em certas datas ou fatos e não gosto de ficar me policiando o tempo todo "n
ão posso esquecer-me de fazer isso ou aquilo, se não, a fulana vai logo concluir que eu não me importo..." Pô, minhas amigas, minha amizade não pode ser medida por uma frase que eu deixei de dizer: Feliz Aniversário, por exemplo... Quero que a minha amizade seja medida pelas palavras certas que eu digo nas horas certas, quando necessarias. É claro que eu desejo que todos os meus amigos tenham dias felizes, e se possível, todos os 365 do ano, e não numa data específica da qual não me sinto na obrigação de lembrar.

Mas, o que se passou realmente, eu nunca vou saber, pois a
louka não fala. Ela conclui que me deixando na ignorância retém o poder só para ela, e me descabelar tentando descobrir faz parte dos seus planos de vingança. Não vou me descabelar, a louka é ela e não eu. hihihi

A minha visão dos fatos é a seguinte: não é de bom tom fazermos julgamentos apressados sobre as atitudes das pessoas – sobretudo, àquelas que chamamos de amigo. Portanto, se não estou agradando e não deseja mais a minha amizade, ótimo, se afaste, mas mande-me pelo menos um sinal de fumaça. Caso contrário, corro o risco de continuar chamando-a de amiga e eu não quero pagar esse mico-leão-dourado.

Não gosto de obrigatoriedade, quero mais é soltar as amarras e tudo o que mais desejo é cercar-me de pessoas livres, adultas e bem resolvidas, e não de crianças mimadas...

Já passou o tempo que eu tinha paciência para lidar com esse tipo de situação. O clima pesado que fica quando há esse tipo de mal entendido é péssimo e me bota pra baixo – justo eu que sou capaz de dar meus dois dentes da frente para manter meu alto astral.

Sabe quando eu vou entrar nesse jogo?... No dia que eu bater com a cabeça!

O mal estar se instala quando a criatura faz questão de deixar claro que somos culpados, embora não diga isso, mas as atitudes dizem. Ficamos sem ação e um enorme ponto de interrogação se interpõe como uma barreira intransponível, desestimulado qualquer tentativa de entendimento.

Nesse caso, há algumas opções: podemos ignorar e fingir que não é conosco - o que a fará parecer mais
louka ainda. Ou entrar logo na toca do lobo com a tal pergunta na ponta da língua “te fiz alguma coisa?”... Quem sabe podemos sacar da bolsa um cartãozinho e perguntar: vai um psiquiatra aí?

3 de nov. de 2010

HISTERIA VIRTUAL



Segunda feira, dez e pouco da manhã, não faz muito tempo que eu acordei. Aliás, eu nem acordei, tô meio ontem ainda. Só acordo depois que tomo meu cafezinho: preto e solúvel.
 
Para adiantar o expediente, subo até meu ateliê e ligo o computador, que por sinal está lerdo feito uma lesma manca. Não tenho paciência de ficar na frente dele esperando abrir aquela tela preta cheia de baboseiras escritas. Depois, a outra toda azul. E, antes de aparecer a foto do meu netinho (coisa fofa da vovó!), ainda tem aquela do “Bem vindo”... Na boa, gente, chego a suar de agonia... 

Minha mãe tem uma frase ótima que diz: “enquanto se descansa, carrega pedras” - o que quer dizer que enquanto esperamos por alguma coisa, fazemos outra. Seguindo à risca esse conselho, vou até o micro-ondas colocar minha caneca com água pra ferver para preparar o meu café: preto e solúvel.
 
Agora é aquele minuto que tenho que esperar na frente do forno que me irrita. Decido carregar mais pedras e volto ao computador. Agora sim, já posso acessar meus e-mails. A caixa está cheia, não tive tempo de abrir no final de semana.
 
Abro o primeiro: IMPORTANTE!!! REPASSEM!!! Cuidado ao tirar água fervendo do microondas, ela pode explodir na sua cara! Em seguida vem aquelas fotos horríveis com pessoas queimadas bem no meio da cara!... Mas que pontaria tem essa água! Fico xo-cada!!

E agora? – pergunto. Páro e penso: acho que vou até lá cutucar o botão com um cabo de vassoura. A porta abre, e então, arrumo um meio de pescar a caneca de lá de dentro... Isso não vai dar certo...

 
Decido chamar a secretária, antes a cara dela do que a minha. Afinal, gastei os olhos da cara com essa cara (desculpem o trocadilho).
 
Quando ela atende o meu chamado peço gentilmente que prepare o meu café: Omito os detalhes sórdidos.
 
De volta aos e-mails, abro o segundo: SORRIA!!! O sorriso faz bem ao coração, aos pulmões, ao fígado e aos intestinos... Se você quer ter uma vida longa e feliz, sorria!!... Vamos! O que está esperando? Comece agora mesmo, sorria sempre e por qualquer motivo...
 
Mas agora, assim de bate-pronto?... Tudo bem que eu tenho o riso frouxo e consigo rir até do Zorra Total, mas eu nem acordei ainda... nem tomei o meu café...
 
Só se eu for lá no blog do Cesar Cruz e reler aquela crônica engaçada Du Carvalho... Melhor não. Rir duas vezes da mesma piada parece coisa de retardado...
 
Decido ir para o próximo: HOJE É DIA DO ABRAÇO!!! Abrace seu vizinho, seu cachorro, o pasteleiro... O abraço rejuvenesce (opa!) faz bem ao espírito e não custa nada... Aproveite esse momento e abrace alguém que você nunca abraçou antes!
 
Só se eu abraçar o Seu Odorico que tá lá fora podando a grama... Isso não é uma boa idéia. Tenho pouco braço prá tanta circunferência.
 
Vou aos próximos: política, política, política, política, DELETO, agora, meu amigo, Inês é morta, e a Dirma já tá lá bem viva... mas continua, política, política, política... criança desaparecida, repasso... FIQUE ATENTO!!! O CORPO FALA!!! Sabe aquela dor de cabeça que insiste em não passar? São os maus pensamentos... Putz! Eu não devia ter assistido aquele filme de... deixa pra lá.
 
Hooooo! tem um dos bons aqui: ABRA SUAS CORTINAS E OLHE PELA JANELA!!!... Verás flores e borboletas saudando a primavera!... Eu abro e olho (pela janela). Tudo que vejo é só um bando de macacos aos gritos pedindo banana. AGORA NÃO! DÁ UM TEMPO!
 
Abro outro: CIENTIFICAMENTE PROVADO!!! Homens que saem para trair vestem camisa branca... Meu marido acabou de passar por mim, me deu um beijo e saiu. Eu estava tão distraída com os e-mails que não registrei a cor da camisa. Se eu descer as escadarias correndo e não quebrar uma perna, talvez chegue a tempo de alcançá-lo saindo da garagem e ver maldita cor... Consegui ver de relance: É BRANCA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
 
Cadê o telefone, CADÊ??? @c%$a&r#a@l+&h%#o*!!! Nunca acho o desgraçado quando preciso dele! Ah! Ótimo! Achei! Ligo no celular dele. Ele atende: “alô” “pode voltar agora mesmo!!”. “o quê?” “VOLTE-IMEDIATAMENTE-PRA-TROCAR-DE-CAMISA” “cê tomou seu remedinho hoje?”
 
Ele não voltou. Só me resta torcer para que esse seja mais um daqueles e-mails idiotas que recebemos diariamente. Como tem gente desocupada nesse mundo! 
Quer saber? Não vou mais perder meu precioso tempo com isso. Não vou mais acreditar nessas bobagens...
 
Mas só faltam dois para eu abrir. De repente, é justamente nesses que tem um bom conselho a seguir. Decido abrir.
 
O primeiro diz para eu fazer muito sexo. O segundo manda eu rezar.
 
Será que é necessariamente nessa ordem?