“O sonho encheu a noite. Extravasou pro meu dia. Encheu minha vida e é dele que eu vou viver. Porque sonho não morre” (Adélia Prado)

15 de out. de 2010

A CIÊNCIA - VERDADES E MENTIRAS


É bastante comum encontrarmos em livros e enciclopédias essa ilustração com varias criaturas em sequência representando a evolução do homem, começando com uma figura mais encurvada e terminando com uma mais ereta representando o homem moderno.

Essas representações, acompanhadas de reportagens sensacionalistas sobre a descoberta de supostos “elos perdidos”, dão a impressão de que há muitas provas de que o homem evoluiu de criaturas simiescas.Também nas escolas, a teoria da evolução das espécies é amplamente ensinada aos alunos como um fato cientificamente provado. Será que essas afirmações se baseiam em provas concretas? 

NÃO!  

O pesquisador Gyula Gyenis (*) do Departamento de Antropologia Biológica da Universidade Eötvös Loránd, Hungria, afirma: “Os indícios fósseis colhidos até agora não nos permitem saber exatamente quando, onde ou como o homem evoluiu de criaturas simiescas”. (Acta Biologica Szegediensis, volume 46/1-2, pp. 57,59)  

Com frequência a mídia anuncia a descoberta de um novo “elo perdido”. Por exemplo, em 2009, um fóssil que foi chamado de Ida recebeu atenção digna de uma “estrela de rock”, de acordo com certa revista. A publicação incluía esta manchete do jornal britânico The Guardian: “Fóssil Ida: descoberta extraordinária de um “elo perdido” da evolução humana”. ( The Guardian, London - 19 de maio de 2009). No entanto, apenas alguns dias depois, a revista científica britânica New Scientist, disse: “Ida não é um “elo perdido” da evolução humana” (New Scientist 30 de maio de 2009).

Por que cada nova descoberta de um “elo perdido” recebe ampla atenção da mídia, ao passo que quando esse fóssil é removido da “árvore genealógica” isso raramente é mencionado?

Robin Derricourt da Universidade de Nova Gales do Sul, Austrália, responde essa pergunta: “O chefe de uma equipe de pesquisas talvez precise dar muita ênfase à singularidade e ao drama de uma ‘descoberta’ para atrair fundos de outras fontes fora do círculo acadêmico, e os pesquisadores são estimulados pela mídia eletrônica e impressa, que por sua vez está em busca de uma história dramática” (Critique of Anthropology. Volume 29[2] – p. 202.)  

Viram só como as coisas se passam? Tudo é uma questão de angariar fundos para mais pesquisas e garantir empregos a muitos pesquisadores. Mas será que isso é honesto? Analisemos. 

Muitos cientistas dão a entender que o registro fóssil apóia a teoria de que todas as formas de vida tiveram uma origem em comum. Também afirmam que todos os seres vivos devem ter evoluído de um ancestral em comum, visto que possuem uma “linguagem de programação” parecida, o DNA. Mas se todos os organismos vivos possuem projetos similares de DNA, o código que determina a forma e as funções de suas células, não será o caso de que essas similaridades existem não porque tiveram um ancestral em comum, mas porque tiveram o mesmo projetista com um estilo próprio?
 
O relato de Gênesis 1:12,20-25 diz que plantas, as criaturas marinhas, os animais terrestres e as aves foram criados “segundo as suas espécies”. Essa descrição permite uma variação dentro de uma “espécie”, mas também indica que há limites fixos que separam as diferentes espécies. O relato bíblico sobre a criação também indica que novas criaturas apareceriam no registro fóssil de modo súbito e plenamente formadas.
 
Li um artigo numa revista dizendo que no início do século 20, todos os fósseis usados para apoiar a idéia de que humanos e macacos evoluíram de um ancestral comum, cabiam em uma mesa de bilhar. Desde então, a quantidade desses fósseis aumentou. Hoje se diz que eles encheriam um vagão de trem. No entanto, a grande maioria deles consiste de apenas alguns ossos e dentes. Crânios completos, sem falar de esqueletos completos, são raros. O que falta aos fósseis é completado por artistas plásticos “de acordo com a imaginação dos pesquisadores”
 

Eu não sei quanto a vocês, mas eu não posso aceitar isso como fato cientificamente provado!  

A argumentação de alguns cientistas de que há evidencias baseadas em fósseis de que peixes se tornaram anfíbios, que répteis se tornaram mamíferos vem sendo contestada. O paleontólogo David Raup disse: “Em vez de encontrarem evidências do desenvolvimento gradual da vida, o que os geólogos dos dias de Darwin e os geólogos atuais na verdade descobriram foi um registro incompleto e irregular, ou seja, espécies surgem de repente na sequência dos fósseis, apresentam pouca ou nenhuma mudança durante sua existência no registro e, então desaparecem abruptamente.” (Field Museum of Natural History Bulletin “Conflicts Between Darwin and Paleontology” – p. 23).  

Na realidade, a grande maioria dos fósseis demonstra que permaneceram estáveis durante períodos muito longos. De fato, mais da metade dos principais ramos da vida animal parece ter surgido num período relativamente curto. Alguns surgiram tão repentinamente que os paleontólogos se referem a esse período de “a explosão cambriana”. Diante disso, alguns pesquisadores evolucionistas foram levados a questionar a teoria da evolução das espécies. Por exemplo: numa entrevista em 2008, o biólogo evolucionista Stuart Newman falou sobre a necessidade de uma nova teoria da evolução que explicasse o aparecimento súbito de novas formas de vida. Ele disse “Acredito que a teoria de Darwin usada para explicar todas as mudanças evolucionárias se tornará apenas mais uma de muitas teorias” (Archaeology, “The Origin of Form Was Not Abrupt Gradual” – WWW.archaeology.org/online/interviews/newman.html). 

Outra questão é a proporção de tamanhos dos fósseis usados para mostrar que os peixes se transformaram em anfíbios e os répteis em mamíferos. Nos livros, as ilustrações dessas criaturas são apresentadas como se tivessem tamanho similar, quando, na verdade, algumas criaturas são bem maiores que outras. 

Um segundo e mais sério desafio é a falta de evidencias de que essas criaturas sejam aparentadas de alguma maneira. Espécimes colocados na sequência muitas vezes estão separados uns dos outros por milhões de anos, segundo estimativas dos pesquisadores. 

Vejam o que disse o zoólogo Henry Gee: “Os intervalos de tempo que separam os fósseis são tão grandes que não podemos afirmar nada sobre uma possível ligação entre eles” (In Search of Deep Time – Beyond the Fossil Record to a New History of Life de Henry Gee – 1999 p. 23).


E o biólogo Malcolm Gordon vai ainda mais longe. Falando sobre os fósseis de peixes e anfíbios encontrados, ele declara que “possivelmente trata-se da biodiversidade existente naquela época”. 

Um artigo publicado na revista National Geographic de 2004 compara o registro fóssil do qual alguns cientistas afirmam como prova cabal da evolução das espécies a “um filme, no qual 999 de cada mil fotogramas (quadros) desaparecem". Isso seria o mesmo que acharmos apenas 100 fotogramas de um filme que originalmente possui 100 mil. E que desses 100, somente 5 pudéssemos organizá-los de acordo como imaginamos. Será que ao assisti-lo seria razoável afirmarmos que entendemos o enredo enquanto os outros 95 pudessem contar uma historia bem diferente?

Concordo plenamente com o que disse o zoólogo Henry Gee em seu livro já citado: “Afirmar que uma sequência de fósseis representa uma linhagem não é uma hipótese científica que pode ser comprovada, mas uma afirmação que tem o mesmo valor de uma história de ninar – incrível, talvez até instrutiva, mas não científica”.  

Mas voltando ao homem, o que dizer do homem de Neandertal, fóssil semelhante aos seres humanos, frequentemente apresentado como prova de que uma espécie de homem-macaco existiu? Os pesquisadores estão começando a mudar seus pontos de vista sobre o que o homem de Neandertal realmente era: Em 2009, Milford Wolpoff escreveu na revista American Journal of Physical Anthropology:“o homem de Neandertal deve ter sido uma autêntica raça de seres humanos”. (American Journal of Phisical Anthropology “How Neandertals Inform Human Variation” 2099 – p.91).  

O tamanho do cérebro de um suposto ancestral do homem é uma das principais maneiras dos evolucionistas determinarem se o suposto parentesco entre esse ancestral e os humanos é distante ou próximo. Mas é o tamanho do cérebro um indicador confiável de inteligência?

NÃO! 

A revista Scientific American Mund disse em 2008: “Os cientistas não conseguiram encontrar uma correlação entre o tamanho relativo e absoluto do cérebro e a inteligência de humanos e de outras espécies animais. Também não foram capazes de encontrar um paralelo entre inteligência e o tamanho de regiões específicas do cérebro nem a existência delas. A exceção talvez seja a área de broca, que comanda a fala nos seres humanos” (American Journal of Physical Anthropology 2009 – p. 91). 

Diante de tudo isso, surgem muitas perguntas:Por que os cientistas alinham os fósseis usados na sequência macaco-homem de acordo com o tamanho do cérebro quando se sabe que isso não é um indicador confiável de inteligência? Será que eles estão tentando fazer com que as provas se encaixem em suas teorias? E por que os pesquisadores constantemente debatem sobre quais fósseis devem ser incluídos na “árvore genealógica” humana? Não seria o caso de esses fósseis estudados serem apenas o que parecem realmente ser, ou seja, espécies extinta de macacos? 

O orgulho, o dinheiro e a necessidade de atenção da mídia influenciam o modo como as "provas" da evolução humana são apresentadas.
 
O breve relato bíblico diz que Deus criou toda vida neste planeta e dá ampla margem para pesquisas científicas. Além disso, ela diz que Deus criou as coisas vivas “segundo as suas espécies”. Essas afirmações talvez estejam em conflitos com certas teorias científicas, mas concordam com fatos cientificamente provados. A história da ciência mostra que teorias vão e vêm, mas os fatos permanecem!

* Todos os pesquisadores citados neste texto são evolucionistas.

2 de out. de 2010

TERRA - O ENDEREÇO CERTO


Hoje eu acordei com vontade de falar sério. Aproveitem porque isso é raríssimo! rs.

O texto é longo, mas vale a pena ser lido. Trata-se de um assunto complexo, porém vital que o abordemos. Um mistério incompreensível, dizem muitos, e por esse motivo, deixado de lado. Mas eu não deixei e parti para as pesquisas.

Vou falar da ciência e da bíblia. Tracei um parâmetro entre a duas desejando mostrar que a bíblia não contraria a ciência, muito pelo contrário, ela apoia! *(leiam algumas provas no rodapé).

Assim como a teologia, a ciência como um todo é um assunto que muito me interessa. Estou sempre antenada a tudo que acontece nesse universo de pesquisas, principalmente sobre as novas 'descobertas' dos cientistas sobre o inicio do universo e tudo que nele há.

Às vezes as coisas nos parecem simples por que são simples mesmo. Não entendo a dificuldade que as pessoas têm de aceitar um fato – ainda que lhes pareça óbvio –, e continuam numa busca incessante por uma resposta um pouco mais difícil que as satisfaça.

Por exemplo: Gênesis 1:1 diz: “No princípio Deus criou os céus e a terra” e ponto final! Mas poucos aceitam esta declaração simplista e desde os primórdios da antiguidade, cientistas vêm tentando provar o contrário, rejeitam a existência de um Criador.

O evolucionista Richard C. Lewontin disse: “O nosso comprometimento com o ponto de vista materialista não nos permite abrir nenhuma brecha para Deus.”

Eis uma verdade, mas seria esse raciocínio coerente?

Ok, tudo teve inicio de uma gigantesca explosão, o Big Bang. Cientistas do mundo todo já provaram isso. Provaram, também, que o Big Bang foi gerado por uma energia incalculável. Mas de onde veio toda essa energia?... Esta é uma porta que ainda está fechada e nenhum cientista conseguiu abri-la até o momento.

Quem estaria por de trás dessa porta? Deus?... A maioria dos cientistas diz que não. Eles não concordam com o relato de Gênesis 1:1 por não haver provas cientificas cabais. Concordar seria o mesmo que declarar suas fraquezas e limitações.

A descrença talvez esteja no fato de que o registro bíblico declara que Deus criou o universo em seis dias, e que esses dias seriam literais de 24 horas. Talvez não saibam que o termo hebraico yohm traduzido “dia” que aparece no relato de Gênesis, aparece também em outros relatos indicando medidas variadas de tempo e até de eras. E os termos “manhã” e “noitinha” que também aparecem lá, podem indicar simplesmente o começo e o fim de uma era. A obra Old Testament Word Studies (Estudos Verbais sobre o Velho Testamento) de William Wilson concorda com isso. Concorda que o relato descreve os “dias criativos” de Deus como tendo a "duração de tempos incalculáveis por nós".

O relato de Gênesis foi escrito do ponto de vista de um observador terrestre. Este “observador” alistou os acontecimentos na seguinte ordem: (1) um princípio; (2) uma terra primitiva em trevas, e envolta em pesados gases e em água; (3) a luz; (4) uma expansão ou atmosfera; (5) grandes áreas de terra seca; (6) plantas terrestres; (7) sol, lua e estrelas, tornando-se discerníveis na expansão, e o inicio da estação; (8) monstros marinhos e criaturas voadoras; (9) animais selváticos e domésticos, mamíferos; (10) o homem.

A ciência concorda que tais estágios ocorreram nessa ordem geral. Veja o que disse o bem-conhecido geólogo Wallace Pratt: “Se eu tivesse que explicar concisamente nossas idéias modernas sobre a origem da Terra e o desenvolvimento da vida sobre ela a um povo simples, pastoril, tal como o das tribos a quem foi dirigido o Livro de Gênesis, dificilmente poderia fazê-lo melhor do que seguir bem de perto grande parte da linguagem de Gênesis.” Ele disse, também: “... é essencialmente a sequência das principais divisões do tempo geológico!” (The Lamp (A Lâmpada) “Os Mundos de Wallace Pratt”, de W. L. Copithorne – p. 14).

Quais as chances de Moisés, o escritor de Gênesis, ter acertado de primeira a ordem dos acontecimentos da criação? Matemáticos concordam que é uma em 3.628.800 vezes!

Entretanto, a ciência não dá margem a um Criador ali presente, conhecedor dos fatos e podendo revelá-los aos humanos.

Mas as coisas estão mudando entre a classe de cientistas. Vejam aonde as minhas pesquisas me levaram:

Analisem o que disse o físico evolucionista Paul Davies: “Até mesmo cientistas ateus ficam emocionados ao falar sobre a dimensão, majestade, harmonia, elegância e absoluta engenhosidade do Universo”. Sabendo que a vida não existiria se não fosse por fatores extremamente exatos, ele continua: “Estamos no endereço certo. Na cidade certa (o sistema solar), na rua ideal (a órbita que a terra percorre na ‘cidade’, o sistema solar) e temos o vizinho perfeito (a Lua).

Eu pergunto: Será que as características da Terra são resultado do acaso ou de um projeto inteligente?

E o que dizer dos eficientes e versáteis escudos da Terra?

O espaço é um lugar perigoso, repleto de meteoróides e radiação letal. Nosso planeta azul parece estar no meio de um “tiroteio” galáctico, e ainda assim permanece relativamente ileso. Por quê? A terra é protegida por dois escudos incríveis: um poderoso campo magnético e uma atmosfera muito bem projetada.

O que é isso? Obra do acaso?

Falando sobre o “ar condicionado” da Terra, o campo magnético e a água, o livro Rare Earth-why Complex Life Is Uncommon in the Universe (Terra Rara – Por Que a Forma Complexa de Vida é Incomum No Universo) diz: “Parece que a Terra pensou em tudo isso”

É claro que a Terra é resultado da atuação de fatores externos. Mas esses fatores devem-se ao acaso ou a um Criador inteligente e amoroso?

E o que dizer sobre a origem da vida em nosso planeta? De onde ela veio? Do acaso, do espaço, ou houve um projetista inteligente? Analisemos:

Muitos cientistas que acreditam na evolução dizem que a vida começou nas margens de águas estagnadas ou nas profundezas dos oceanos há bilhões de anos. Supõem que substâncias químicas se uniram espontaneamente nessas águas, formando estruturas semelhantes a bolhas, que por sua vez formaram moléculas complexas e passaram a se duplicar. Eles acreditam que toda vida na Terra se originou por acaso de uma ou mais dessas primeiras células “simples”. Mas outros cientistas respeitados não concordam. Supõem que as primeiras células, ou pelo menos seus principais componentes, veio do espaço.

Por que essa discordância? Porque apesar de grandes esforços, até agora os cientistas não conseguiram provar suas teses de que a vida pode ter surgido de moléculas sem vida.

Em 2008 o professor de biologia Alexandre Meinesz trouxe à atenção esse dilema. Ele declarou que ao longo dos últimos 50 anos não se encontrou “nenhuma evidência que apoie a hipótese do surgimento espontâneo de vida na Terra a partir de uma sopa molecular, e que nenhum avanço significativo no conhecimento científico leva nessa direção.” (How Lif Began-Evolution’s Three Geneses, de Alexandre Meinesz – 2008 – PP. 30-33,45).

De fato pesquisadores concluíram que, para uma célula sobreviver, pelo menos três tipos de moléculas complexas precisam funcionar em conjunto: DNA (ácido desoxirribonucléico), RNA (ácido ribonucléico) e proteínas. Hoje, poucos cientistas afirmam que uma célula viva completa se formou repentinamente de uma mistura de substâncias sem vida.

Porém, um pesquisador chamado Stanley Miller conseguiu produzir alguns aminoácidos (os componentes químicos essenciais das proteínas) dando uma descarga elétrica em uma mistura de gases que se acreditava representarem a atmosfera da primitiva Terra. Além disso, alguns aminoácidos também foram encontrados em um meteorito.

Mas vejam o que disse Robert Shapiro, professor emérito de química da Universidade de Nova York: “Alguns autores, presumiram que todos os blocos de construção da vida (aminoácidos) poderiam ser formados com facilidade em experiências como a de Miller e estavam presentes em meteoritos. Mas não é o caso.”

Analisando os complexos nucleotídeos das moléculas do RNA, ele continua: “Nenhum nucleotídeo de qualquer tipo foi apontado como produto das experiências com descarga elétrica ou em estudos de meteoritos”. Ele ainda acrescenta que a probabilidade de uma molécula de RNA autorreplicadora se formar a partir da união aleatória de elementos químicos básicos “é tão diminuta, que se ocorresse mesmo uma única vez em qualquer ponto do Universo visível, representaria um exemplo de sorte excepcional!” (Scientific American, “Uma origem mais simples da vida”, de Robert Shapiro, junho de 2007 – p. 48).

E o que se dizer da célula “simples” de onde tudo supostamente teria se originado? Nela, uma proteína funcional comum contém 200 aminoácidos. Mesmo nessas células, há milhares de tipos de proteínas. A probabilidade de uma única proteína composta por apenas 100 aminoácidos se formar por acaso na Terra foi calculada em cerca de uma em 1 quatrilhão de probabilidades!

Outros estudiosos chegaram ao cálculo de uma vez em 1/seguido de 113 zeros!

Todos os matemáticos concordam que qualquer acontecimento que tenha uma probabilidade de uma vez em 1/seguido de 50 zeros é totalmente inexistente!

O pesquisador Hubert Yockey, que apoia a evolução disse: “Eles (os cientistas) estão enganados... É impossível que a vida tenha se originado apenas das proteínas”

A Dra. Carol Cleland, membro do Instituto de Astrobiologia da Nasa disse: “A probabilidade de uma mistura aleatória de proteína e RNA é quase inexistente. Mesmo assim, a maioria dos pesquisadores supõe que, visto que conseguem compreender a questão da produção independente de proteínas e RNA sob condições naturais primitivas, a questão da interação desses elementos se resolverá de algum modo” – e acrescentou ao final: “Ninguém conseguiu dar uma explicação satisfatória de como isso aconteceu” (NASA’s Astrobiology Magazine, “Life’s Working Definition-Does It Work [Site ascessado em 17/03/2009]).

A que conclusão eu cheguei diante de toda essa pesquisa?

Concluí que os cientistas estão num dilema. Eles descobriram alguns aminoácidos que também estão presentes nas células vivas e, em seus laboratórios, produziram outras moléculas mais complexas por meio de experiências bem planejadas e controladas. Com o tempo, eles esperam produzir todas as partes necessárias para formar uma célula “simples”. A situação deles pode ser comparada à de um cientista que reúne alguns elementos naturais, transformando-os em ferro, plástico, silicone e fios de metal e, por fim, constroe um robô. Daí o robô é programado para produzir cópias de si mesmo. Com isso o que o cientista conseguiria provar? Na melhor das hipóteses, que um ser inteligente pode criar uma máquina impressionante.

De modo similar, se os cientistas conseguissem produzir uma célula, isso seria algo fenomenal, mas provaria que uma célula pode surgir por acaso? NÃO! No máximo os cientistas conseguirão provar o contrário!

Há uma pergunta que não quer calar: Se substancias químicas usadas nas experiências representam o ambiente primitivo da Terra, e se as moléculas produzidas representam os elementos básicos da vida, quem ou o que representa o cientista que realizou a experiência? Será que ele representa o acaso ou um ser inteligente?

Pense no seguinte: O que exige mais fé: acreditar que os milhões de partes complexas e organizadas de uma célula surgiram por acaso ou que a célula é produto de uma mente inteligente?

Verdadeiramente a teoria da geração acidental enfrenta problemas. O físico H. S. Lipson declarou em certa ocasião: “A única explicação aceitável é a criação. Sei que isto é anátema para os físicos, como deveras é para mim, mas não devemos rejeitar uma teoria da qual não gostamos, se a evidência experimental apóia.” Observou, também, que depois do livro de Darwin – As Origens das Espécies – “a evolução, em certo sentido, tornou-se uma religião científica; quase todos os cientistas a aceitaram e muitos estão dispostos a ‘moldar’ suas observações para que se ajustem a ela.” (Phys Bulletin (Boletim de Física) “Um Físico Examina a Evolução”, de H. S. Lipson – Vol. 31, pg. 138). 

Uma declaração lamentável, porém verídica!

A declaração mais surpreendente que deparei durante toda minha pesquisa foi a do professor Chandra Wickramasinghe da University College, de Cardiff na Grã-Bretanha. Ele disse: “Desde o inicio da minha formação como cientista, sofri forte lavagem cerebral para crer que a ciência não pode ser coerente com qualquer tipo de criação deliberada. Tal noção teve de ser mui dolorosamente posta de lado. Sinto-me bastante desconfortável com a situação, com o estado mental em que agora me encontro. Mas, não existe nenhuma saída lógica... Para que a vida pudesse ter sido um acidente químico na Terra, seria como procurar determinado grão de areia em todas as praias de todos os planetas no universo – e encontrá-lo.” E ele conclui: “Não há outro meio de podermos entender a ordem precisa das substâncias químicas da vida, exceto invocar as criações numa escala cósmica.” (Daily Express (Expresso Diário) “Tem de Haver um Deus” de Geoffrey Levy – Londres 14 de agosto de 1981 – p. 28).

Charles Darwin foi o primeiro a levantar a teoria da “geração espontânea” e durante muito tempo, respeitados homens da ciência aceitavam essa teoria. Não obstante, por volta do século 19, Luís Pasteur e outros cientistas deram um golpe mortal na sua teoria, provando, mediante experiências, que a vida somente provém de outra vida prévia.

E de lá pra cá, não há um consenso comum. Tudo que sabemos é que é preciso um ser muito inteligente para criar um robô sem vida.

Os cientistas do mundo todo enfrentam a maior dificuldade para, se quer, entender o mecanismo da forma mais “simples” de uma célula viva. O que seria necessário para criar uma forma de célula mais complexa?

Presumindo que uma primeira célula viva tenha surgido de alguma forma espontânea, existem evidências de que ela evoluiu em todas as criaturas que já viveram na Terra?

E o que dizer do homem, a criatura mais inteligente da Terra e suas 100 trilhões de células diferenciadas de pele, ossos, cabelos, músculos e etc.? Será que ele foi criado inteiro ou evoluiu de um ancestral comum? O que dizem os fósseis? Será que os cientistas estão dizendo a verdade?

Vou falar sobre isso no meu próximo post.

*A BÍBLIA É CIENTIFICAMENTE EXATA!
A Terra está suspensa no espaço (Jó 26:7 - declarado por volta do ano 1613 a.C)
A Terra é redonda (Isaias 40:22 - escrito por volta do ano 732 a.C)
Revelado em detalhes o ciclo das águas (Eclesiastes 1:7 - escrito antes do ano 1000 a.C)
O Universo é governado por leis (Jeremias 33:25 - escrito antes do ano 580 a.C)

27 de set. de 2010

Eu ODEIOOOOO ela!


Existem pessoas que bastam ir uma só vez a um lugar e decoram o caminho. Não é o meu caso. Sou muito distraída, tenho que ir no mínimo umas três vezes. É por esse motivo que sempre mantive no meu carro o bom e velho Guia 4 Rodas.

Nunca gostei de GPS e nunca quis ter um. Detesto aquela voz irritante me indicando o caminho, fico com aquela sensação de que estou com uma palpiteira ao meu lado expondo toda a minha burrice. Prefiro fazer meu trajeto ouvindo uma musiquinha e, quando me perco, paro, consulto o Guia, ou apelo para o “quem tem boca vai à Roma”.

Bem que alguém poderia inventar um GPS especialmente para mulheres, com uma voz masculina, grave, aveludada, sensual... Que falasse bem devagar e repetisse quantas vezes fossem necessárias. E que não se esquecesse de elogiar quando a gente fizesse tudo direitinho “h ó o o o o, mas que mulher inteligente!”

Mas eu sou uma mulher moderna, certo? Tenho que me atualizar, e além do mais, tenho várias amigas que tem GPS e eu não podia ficar por baixo.

Foi por isso que decidi experimentar a coisa. Pedi emprestado o do meu marido e escolhi um lugar aqui mesmo na minha cidade para a minha estreia. Quando estivesse craque me aventuraria ir à São Paulo.

Minutos antes de sair, programei o negócio do jeito que meu marido me ensinou e lá fui eu, crente que na volta ligaria para uma amiga e daria aquela esnobada básica. Tinha até ensaiado umas falas.

Entrei no carro e mal saí da garagem “ela” já lascou a primeira frase: a-trinta-metros-vire-a-direita.

Dobre-ligeiramente-a-esquerda.
Mantenha-se-a-direita.

Ok, eu começava a ficar irritada, mas tudo que fiz foi pensar dá um tempo, sei bem sair do meu condomínio!

Logo de cara percebi que ela estava me levando direto para o pedágio, mas eu tenho meus macetes, conhecia bem aquele trecho e segui por um caminho alternativo ignorando seu falatório. Vai vendo como sou mais esperta que você...

Até parece que ela adivinhou meus pensamentos, pois foi só eu colocar os pneus numa estradinha totalmente deserta e desconhecida, ela apagou, ficou muda. MU-DI-NHA! Justamente quando eu mais precisava dela!

E agora?... finjo que não entendi a vingança e sigo meu caminho, ou volto pra casa com uma desculpa esfarrapada?

Quando a estradinha acabou e estava prestes a entrar na cidade, decidi dar à ela mais uma chance... tá, confesso, pedir à ela mais uma chance. Estacionei o carro num acostamento perigosíssimo e reprogramei tudo novamente.

Foi aí que começou o meu calvário.

Devo ter feito algo muito grave, pois ela endoidou de vez! Disparou a falar, mas não dizia coisa com coisa e continuava apagada.
Sempre tive dificuldade com esse negócio de esquerda/direita, levo alguns segundos para assimilar. “O lado direito é o lado da mão que você escreve” – dizia minha mãe quando eu era criança. Brrrrrrrr, não dá para escrever no trânsito, né, mãnhêeeeeeeee!!!

Não sei como aquilo aconteceu, mas de repente me vi em outra estradinha deserta. Eu estava completamente perdida. PER-DI-DI-NHA DA SILVA!!! E aqueles apitos do “você errou dinovo” me deixavam doida! Recalculando-a-rota... recalculando-a-rota... Acho que nuca mais eu vou esquecer essa frase.

A essa altura eu não pensava desaforos, estava falando em voz alta “O quê? Como? Não entendi. Repete sua vadia! Repete!"

Vire-a-direita... e PA! invadi uma área militar!

Tão rápido como um relâmpago apareceram três soltados apontando seus fuzis direto pra minha cabeça!

Instintivamente fui escorregando no banco para me safar dos tiros. O que veio depois foi a parte mais hilária de todo esse episódio.

Como não ouve tiros, fui levantando bem devagar, e, repentinamente, levei as duas mãos para o alto (daquele jeito mesmo como fazem os bandidos quando são surpreendidos pela polícia). Comecei a gesticular com as mãos tipo ó, ó, vou tirar o cinto... ó, ó, vou sair do carro... ok? ok? – Tudo com as mãos lá no alto.

Enquanto fazia mímicas, imaginei meu marido gastando as tufas com o advogado para me soltar da prisão do quartel... e meus filhos assistindo a reportagem no Jornal Nacional “.... ela diz que a culpa foi do GPS, mas a Segurança Nacional vai investigar o caso...”

Afastei imediatamente aqueles pensamentos, não era hora para pensar nisso, era hora de pensar numa boa desculpa para aquela invasão.

Mas será mesmo que eu precisava gastar minha criatividade pra elaborar uma explicação convincente?... Será que eles não estavam vendo que se tratava de uma senhora perdida? (nessas horas é um alivio ser uma senhora, né...).

Desci do carro e me preparava para abrir a boca quando ela disse: recalculando-a-rota...

Estão ouvindo? - disse eu. A culpa é DELA!

23 de set. de 2010

É Primavera...



Hei! Estação nova chegando! Vamos lá!
Na primavera, que tal mudar a forma de pintar?
É isso mesmo! Sugiro aproveitar pétalas de flores,
folhas, vegetais, terra e outras cores naturais, fáceis de encontrar.

Recolha também juras de amor sob a lua cheia,
mãos entrelaçadas de namorados a caminhar na areia.
Resgate sonhos antigos, planos e ilusões até.
Experimente uma iluminada idéia, com toques de fé.


Junte fragmentos de angústia, cacos de dor e
dê realce à pintura, com a cor complementar.
Pegue aqueles tons suaves de ternura e paz,
algum filete de fonte cristalina que a sede desfaz.
Vá com calma, construa seu caminho com arte,
as pegadas serão seguidas, mesmo que em parte.


Solte a voz, cante para o sol, mesmo desafinado.
Poderá acompanhar você, um coral, em trinados.
Plante sementes de alegria, vida e esperança.
Perdoe, é possível, e ajude a curar lembranças.
Quem sabe, uma poda aqui, outra ali, faz parte.
Mas que seja com carinho e um pouco de arte.


Vamos lá, mude a forma de pintar!
Que tal, uns riscos e rabiscos de poetar?
Para mim, poema-primavera é assim:
Uma braçada multicor de belas flores colhidas
no jardim e nas estradas da vida,
que a gente vai contemplando e ajeitando.
No desejo de que fique o mais correto,
envolvemos amores e amarramos flores
com fitas generosas de cuidados e afeto.

Beijos de ternura!
(extraido)

15 de set. de 2010

O LOBISOMEM



Meu irmão ergueu o arame farpado para eu passar.

- Passa logo! Passa logo!... Lerda! – cochichou ele, impaciente.
- Não sou lerda, eu carrego os ovos – respondi.

- Por que eu carrego os ovos? – perguntei.
- Porque você é mais nova.
- E o que tem isso?
- Gente mais nova carrega coisas pra gente mais velha.
- Quem disse?
-
Eu disse.

Com rapidez ganhamos a rua que ladeava a chácara do Seu Adolfinho, nosso vizinho de fim de rua. Dobramos a esquina e alcançamos o portão da frente. Postamo-nos bem debaixo da placa onde estava escrito: VENDE-SE OVOS CAIPIRAS.

Meu irmão bateu palmas, como era o combinado da parte dele. Eu, de minha parte, segurava bem firme as bordas da saia do meu vestido.

- Tá mostrando a calcinha – ralhou meu irmão.
- Se soltar o vestido, caem os ovos – repliquei.
- Mas é feio mostrar a calcinha – disse, ele.
- Eu sou criança e criança pode mostrar a calcinha.
- Quem disse?
-
Eu disse.

O velho solteirão logo apareceu na porta, espichou o pescoço e franziu os olhos de vista curta.

- O que quer agora, moleque? pintos de novo?
- Ovos dessa vez.
- Não sabe ler a placa? Eu vendo ovos, tenho muitas galinhas, não preciso comprar.
- Mas o senhor vende a quatro cruzeiros a dúzia e eu estou vendendo a dois – argumentou meu irmão.

Durante as negociações, eu devia ficar calada, pois ele dizia que era melhor para os negócios.

- ... Se comprar de mim pode lucrar agora mesmo. Não precisa esperar as galinhas botarem para ajuntar.
- Sei... Quantas dúzias têm? – perguntou o velho.
- Duas e meia.

Ele coçou a cabeça por cima do chapéu.

- Espera aí que eu vou descer com o dinheiro.

Ao final das transações rumamos rua acima, em direção de casa. Normalmente, a divisão do dinheiro era feita em segredo, no fundo do quintal, e depois, cada qual gastava do seu jeito. Mas foi diferente dessa vez.

- Vai indo na frente que eu vou gastar a minha parte agora – informou meu irmão quando chegarmos em frente ao bar do Seu Raul.
- Isso nunca! – protestei prontamente – Quero a minha parte quando você pegar a sua!
- Mas tá numa nota só.
- Então vamos rasgar no meio.
- Isso que não!

Estávamos num impasse. Mas eu tinha a solução:

- Vamos entrar juntos. Você gasta sua parte que eu gasto a minha.
- Mas no bar do Seu Raul não vende quebra-queixo...
- Você compra o cigarro e me dá o troco.
- Quem falou em cigarro?
-
Eu falei. Eu sei.
- Que conversa!...

Retomando a rua.

- Será que é verdade? – perguntei.
- O quê?
- Que o Seu Adolfinho é lobisomem.
- Não, ele é avarento.
- Avarento também pode ser lobisomem.
- Conversa afiada.
 

- Lobisomem sabe de tudo?
- Não sei. Por quê?
- Porque se ele for, vai saber que vendemos os ovos que roubamos dele pra ele mesmo.
- Não vai saber se ninguém contar.
- Quem garante?
-
Eu garanto.

Um pouco mais perto de casa.

- Lobisomem consegue estar em dois lugares ao mesmo tempo?
- Por quê?
- Porque eu tô vendo Seu Adolfinho descendo a rua em nossa direção!

Evidente que descobrimos mais tarde que o corre-corre foi em vão. Seu Adolfinho, o velho franzino de andar meio troncho e encurvado, não era lobisomem com poderes sobrenaturais. Ele tinha um irmão gêmeo idêntico que resolveu vir visitá-lo justamente naquele dia.

O dinheiro?... Bem, esse se perdeu quando saímos em disparada. Mas lucrei mais com o susto, pois hoje tenho uma boa história para contar.


(Da minha coletânea "Capítulos à Parte")

18 de ago. de 2010

Contigo aprendi...

(Amor com Amor se paga)


- Sueli Gallacci



Foi amor à primeira vista, hoje eu sei e não posso negar. Não fosse por aquele par de olhos de mel fixados nos meus, eu não me entregaria tão facilmente. Sempre levei fama de durona, e me orgulhava disso. Conhece o tipo que não se deixa enganar pela primeira impressão? Que bota o juízo no meio de tudo deixando o coração bem de ladinho? Pois é, eu era assim...

Digo “era” porque minhas faculdades inteligíveis e ponderativas acionáveis ao estabelecer relações lógicas, estavam sensivelmente abaladas. No entanto, ainda restava um tantinho de minha faculdade de avaliação para julgar que tudo poderia mudar daquele dia em diante, desde que entrei correndo naquela loja fugindo da chuva de dezembro.

O vento havia levado meu guarda-chuva, e meus pés estavam encharcados pelas poças d’águas que bravamente atravessei à caça de um taxi – objeto extinto na cidade em dia de chuva.

Soube logo que botei o pé fora da cama que o dia não prometia. Meu carro estava no concerto, o despertador não tocou, e ainda por cima, no corre-corre matutino, esqueci-me completamente de apanhar a pasta com os relatórios que havia levado para casa no dia anterior – quase tinha virado a noite analisando-os, vale lembrar.

Isso sem contar a tremenda bronca que levei do meu chefe quando apareci no escritório atrasada e sem a maldita pasta! E depois o temporal que desabara bem na hora que havia decidido sacrificar o meu almoço pelos tais relatórios. Eu nunca estaria de volta a tempo se não conseguisse um taxi nos próximos cinco minutos!

Estava justamente pensando nisso quando senti aquele olhar no interior da loja. Eu não sei porque topei entrar naquele jogo do vamos-ver-quem-desvia-o-olhar-primeiro. Acho que de início foi só um tipo de fuga, queria me concentrar em outra coisa que não fosse os infortúnios daquele dia. O fato é que funcionou. Pra ele.

Que loucura!... Eu estava mesmo inclinada a levá-lo para casa!

Tiraria a tarde de folga e bay bay relatórios – planejei em meio a meu surto de imprudência. Qual a duração média da validade da bronca de um chefe?... Convenci a mim mesma que certamente duraria mais do que uma tarde inteira e sorri para ele. Ele retribuiu. Primeiro com os olhos, depois com o corpo todo.

Tomei como um convite para eu me aproximar um pouco mais. Agora que o gelo havia sido quebrado, decidi que fosse qual fosse o seu nome, eu o chamaria de Nicolau: era dezembro e o nome me pareceu sugestivo. E além do mais, que importância tinha o nome frente ao ato em si? Teria muito mais a me arrepender se aquela experiência inteiramente nova não desse certo.

A fim de não haver mal entendidos, achei por bem soltar a língua logo que chegamos e proferi meu bem elaborado discurso do “nesta casa mando eu”. Deixei bem claro que não estava habituada a dividir espaços, pois nunca abri mão de minha solteirice convicta e irrevogável. Não tinha acordo previsto, e por hora, o melhor mesmo seria ficarmos na base do “cada um na sua”.

Portanto, isso implicava dele aceitar pacificamente, ou não, meu lado egoísta de ser, assumo, mas disso dependia todo o sucesso do nosso convívio sob o mesmo teto.

Fui, também, mais específica, tal como: ninguém dorme na minha cama, ninguém ocupa meu lugar no sofá, ninguém senta à minha mesa, ninguém emporcalha meu tapete, ninguém fuça minhas coisas e etc., etc., etc...

Claro, teríamos nossos momentos, isso era circunstancial e consequente. E se ele fosse paciente com minha lentidão ao adaptar-me a novas situações, poderia até serem satisfatórios, porém, não devia esperar muito de mim.

Daí, como quem cala consente, tomei seu silêncio como aceite.

Tolo engano. Acreditariam se eu dissesse que todos aqueles meus mandamentos só vigoraram por uns michos vinte minutos?

Podem acreditar.
 
Todo meu blablablá veio por terra tão logo ele descobriu que ali poderia ser, e de fato era, seu novo endereço. E ainda por cima, mais tarde ele viria a detonar meus cartões de crédito. Mas deixemos isso para o final.

É inacreditável como a vida nos parece tão monotonamente repetitiva, às vezes. Lá estava eu novamente, às sete da manhã, debaixo de um dilúvio, com um pneu furado e sem um tostão no bolso. (acabava de descobrir que havia esquecido a carteira em casa).

Minha mãe sempre me dizia que confusão é como banho frio: primeiro não se quer entrar, depois se acostuma e não quer mais sair.

Já que é assim, vou tirar logo o dia inteiro de folga – decidi. Abandono o carro nesse lugar proibido e volto para casa a pé. São só alguns quarteirões e chuva não quebra ossos. Não aparecendo no escritório, economizo a bronca do dia, e depois, faz alguns meses, desde a última chuva, que não desapareço sem deixar pistas.

Mas, não seria completamente irresponsável desta vez. A primeira coisa que faria ao chegar, seria enviar um e-mail à fera: de conteúdo mentiroso, porém, convincente. Quem sabe até falaria a verdade (dei uma risadinha sarcástica por dentro).

Ainda no corredor, tirei os sapatos e despi-me quase completamente da roupa molhada a fim de não molhar meu tapete das Arábias. Assim que entrei, vi o Nicolau deitado preguiçosamente de barriga para cima no meu sofá de puro linhão italiano; dormia o sono dos justos.

Foi quando a questão me veio à tona: como ele podia levar a vida de maneira tão simples e descomplicada enquanto eu tinha que entrar na arena e matar um touro por dia para sobreviver?

Então, me caiu a ficha. 

Eu também podia e só dependia de mim. Eu, que relutava tanto em compartilhar, ansiava secretamente voltar para casa e receber toda aquela atenção e afeto que ele insistia em me dedicar, mesmo sem o meu consentimento. Ele não era o paradoxo da minha racionalidade como eu teimava em denominá-lo. Nem a figura representativa do meu primeiro ato insano. Era um ser incrível e especial que havia me ensinado coisas. Coisas tão valiosas que nem o melhor salário do mundo pode comprar. E estava mais do que na hora de eu fazer a lição de casa.

Peguei o telefone e liguei para o meu chefe. Mal pude esperar que ele dissesse 'alô' para despejar tudo há muito entalado: disse o quanto ele era insuportável e mesquinho, e que preferia preencher a vaga de balconista da padaria da esquina a ter que olhar para cara dele novamente. E essa era a mais pura verdade!

Depois de bater com o telefone na cara dele, deixei-me desabar no sofá, aliviada. Nicolau acordou com o solavanco e se espreguiçou lentamente.
 
Foi neste momento que eu vi a minha carteira, meus documentos e todos meus cartões de créditos espalhados pelo tapete. Estavam comidos pela metade, retorcidos, irreconhecíveis.

Minha primeira reação foi de espanto. Depois de incredulidade. Por fração de segundo provei da terrível sensação de não mais existir. Sem emprego e sem documentos, era como se tudo que eu representava, tudo que construíra, tinham restado em cinzas.

Olhei imediatamente para ele cobrando uma explicação. Ele se encolheu um pouco, mas depois me encarou, era valente.

Então não pude mais me conter e explodi numa gargalhada!

Foi o sinal verde que ele precisou para pular em cima de mim pela primeira vez. E num verdadeiro ataque de lambidas gotejantes, comemorou sua vitória como só um bom cão que se presa sabe fazer.

O resto dessa história?
 
Bem, todos já devem ter facilmente deduzido, pois é igual a tantas outras: Fomos felizes para sempre!

(da minha coletânea Capítulos à Parte)

Dedicada ao nosso Nico - Com toda a minha saudade!