“O sonho encheu a noite. Extravasou pro meu dia. Encheu minha vida e é dele que eu vou viver. Porque sonho não morre” (Adélia Prado)

4 de out de 2012

Felicidade ao alcance de todos?




Ao que tudo indica, ela é facinha, facinha de encontrar. Essa tal felicidade.

Quando leio meus emails, entro nas redes sociais, vejo diariamente pessoas bem intencionadas me indicando o caminho. Não tem erro, é só seguir os conselhos, que mais parecem setas vermelhas apontando a direção.  Tão pertinho de mim ela parece estar, que me sinto uma idiota por não vê-la. Pelo menos da maneira que a descrevem.

O que vejo, entretanto, e quase sempre na sequência, são rostos de mães desesperadas procurando pelos seus filhos desaparecidos: ‘Se fosse seu filho você se importaria’ - essa é a mensagem forte e verdadeira que se segue.

Vejo a cara repugnante de algum delinquente que dilacerou um animal ainda em vida por pura diversão. Vejo o bêbado que afogou suas mágoas e botou um ponto final na possível felicidade de uma família inteira! Vejo a luta dos professores por melhores salários. Vejo o desabafo sofrido de gente indignada com a falta de moral e ética dos políticos brasileiros.

Então, é inevitável a pergunta: será mesmo que eu conseguiria beber de tanta felicidade no meio desse lamaçal?... Será que me sentiria confortável com tanto privilégio?

Não, não sou pessimista. Quem me conhece sabe disso. Sabe que me esforço num exercício diário de otimismo.  Não gosto de ver desgraças nos noticiários sensacionalistas, basta-me saber que elas existem para me situar no meu tempo. Evito tudo que venha a roubar minhas três aliadas: a fé, a esperança e a alegria.

Mas a alegria que sinto difere em muito da felicidade que tentam me vender. Ela tem começo e tem fim. E recomeço... Tem grau de intensidade e se intercala com apreensões, medos, anseios, frustrações e revoltas. Tem motivos reais e não brota de delírios. Minha alegria é como a mim mesma: tem os pés bem plantados no chão. Tem consciência (e presciência) de que dias piores virão. E é bom que seja assim, até pela sua própria sobrevivência. O que seria de uma alegriazinha momentânea diante de uma felicidade eterna?... Nem se faria notar!

Minha alegria é feita sobmedida pra mim. Não é do tipo que explode o peito, mas acaricia.

Portanto, de nada me vale essa oferta da Felicidade Maiúscula, que apesar de atraente, não me convence. Não posso comprá-la, pois ainda não tenho a moeda de troca. E eu duvido que alguém tenha. Não compro essa ideia, e nem me deixo iludir por ela e sabem por quê? Ela simplesmente não está disponível ainda. Por enquanto é tão somente uma promessa vindoura... Que mania que esse povo tem de apressar as coisas!